Nos últimos anos, Portugal tem-se destacado como um destino crescente para migrantes oriundos de diversas partes do mundo, refletindo uma tendência global de mobilidade humana em busca de melhores condições de vida, estabilidade económica e segurança. O aumento da população estrangeira trouxe profundas mudanças no tecido social e económico da cidade, contribuindo com mão de obra qualificada e não qualificada, ajudando a preencher lacunas em setores que muitas vezes enfrentam escassez de trabalhadores, como a agricultura, construção civil, saúde e serviços de cuidados.
A diversidade cultural dos migrantes enriqueceu a vida local, introduzindo novas tradições, gastronomia e formas de expressão artística, o que promove o diálogo intercultural e um maior dinamismo nas comunidades, promovendo uma convivência multicultural e gerando novas oportunidades de interação entre diferentes comunidades.
Essa transformação integrou elementos de diversas culturas e tem o potencial de criar um ambiente mais inclusivo nos territórios onde se fixam.
Contudo, estatísticas e pesquisas europeias referentes ao panorama da imigração na Europa revelam a situação desfavorável em que se encontram os imigrantes na maioria dos setores da sociedade. Essa desvantagem reflete-se nas esferas social, política, educacional e no acesso aos serviços como saúde, habitação e proteção social, sendo ainda mais notória no setor laboral (Corsi, 2004; Miranda, 2009; Rubin, 2008).
Esses fatores não atuam de forma isolada, mas interagem e reforçam-se mutuamente, gerando dinâmicas de desigualdade, exclusão e até mesmo marginalização (Rubin et al., 2008).
São quase 800 mil os estrangeiros a residir em Portugal, mas um em cada três vive em risco de pobreza ou exclusão social.
Em média, recebem quase menos 100 euros por mês de salário que os cidadãos nacionais.
“Portugal é o 4.º país com maior precaridade laboral entre os estrangeiros, a seguir à Croácia (48%), aos Países Baixos (38%) e à Polónia (36%). Em 2021, os trabalhadores estrangeiros ganhavam, em média, menos 94 euros mensais do que a média nacional”, refere a Pordata.
Na inquirição de 2017, Portugal surgiu no grupo de países acima da média europeia, com 65% dos inquiridos a considerar a discriminação um grande obstáculo à integração dos imigrantes.
Existem diferenças significativas entre os imigrantes de diferentes origens. Em 2022, os estrangeiros nacionais de países da UE (excluindo o Reino Unido) residentes em Portugal tinham um risco de pobreza ou exclusão social de 16,7%, 3 pp inferior ao risco dos cidadãos portugueses. Em contrapartida, os estrangeiros extracomunitários enfrentavam um risco muito maior, de 34,1%, o que representa 14,3 pp acima dos nacionais portugueses e 17,4 pp acima dos cidadãos da EU residentes no país.
Esses fatores de exclusão interagem entre si, reforçando as desigualdades e criando ciclos de marginalização que dificultam a integração dos migrantes na sociedade.
Embora tragam vantagens evidentes para o país de acolhimento, os migrantes muitas vezes enfrentam obstáculos estruturais e culturais que os colocam numa posição de desvantagem e vulnerabilidade, sendo urgente proporcionar condições que alterem esta situação.
Assim, a implementação deste projeto permite promover o diálogo intercultural e criar laços de pertença entre migrantes e a comunidade local, onde as diferenças culturais são não apenas aceites, mas celebradas, contribuindo para uma integração mais profunda e sustentável.
Realizar uma campanha de sensibilização nas comunidades locais e nos grupos migrantes, promovendo o projeto como uma iniciativa de inclusão social e cultural. A campanha utilizará diversos canais de comunicação, como folhetos informativos, publicações em redes sociais, e apresentações do projeto em escolas, centros culturais e outros espaços comunitários. A mensagem principal será promover o diálogo intercultural, a integração social e a valorização das diversas culturas presentes na comunidade.
Comunicar os objetivos do projeto, os benefícios da participação e as formas de envolvimento através de sessões com representantes das comunidades locais, autoridades locais e instituições parceiras criando ambientes de disponibilidade para discutir a importância da integração social e cultural. Estes encontros também funcionarão como espaços para criar ecossistemas de integração onde se esclarecem dúvidas, promove o diálogo e facilita o entendimento mútuo entre migrantes e locais.
Atividade I: Ações de sensibilização e capacitação
Num momento de reflexão inicial e em ambiente informal, os participantes inscritos na atividade serão convidados a refletir no tema da inclusão social e cultural sobre as suas perceções experienciadas no novo contexto em que vivem. Esta primeira abordagem será filmada para permitir uma comparação entre perceções iniciais e finais do projeto, como catalizador da mudança.
Na fase final, os mesmos participantes serão questionados novamente sobre o tema, com perguntas como: “O que significa para ti a integração social? Como achas que podes ser um agente de mudança na comunidade e para os outros?”. Esta abordagem permitirá que os participantes compreendam o progresso realizado ao longo do projeto e os avanços em termos de integração e pertença, fortalecendo o sentimento de que são “capazes de promover a mudança” tanto nas suas vidas, quanto na comunidade onde estão inseridos.
Atividade II: Oficinas de criação tendo base o tema da Inclusão dos Migrantes
1.
Artes plásticas e arte
urbana criação de exposição e
mural através de:
Oficinas de escrita criativa, que permitirão aos participantes aprender técnicas de escrita e serem os autores de produção textual que refletirá temas como a migração, a identidade cultural e a inclusão social, a ser integrados nos produtos artísticos finais do projeto.
Oficinas de artes, que permitirão aos participantes desenvolver técnicas de desenho e pintura para expressar visualmente as suas experiências de migração, diversidade cultural e desafios enfrentados no processo de integração. Os produtos artísticos gerados irão refletir essas vivências, representando a riqueza das suas culturas e a importância da coexistência em sociedade.
2.
Música convite a participar na criação de uma composição musical colaborativa, onde poderá explorar-se as tradições musicais e combinar diferentes estilos, instrumentos e ritmos, criando uma fusão cultural.
Oficinas de técnica vocal e instrumental – estas oficinas ajudarão os migrantes a melhorar a sua expressão musical e promoverão a integração de elementos sonoros característicos das suas culturas de origem, promovendo um diálogo entre diferentes tradições musicais.
Oficinas de composição musical – os participantes aprenderão técnicas de criação musical e serão encorajados a trabalhar letras e compor melodias que reflitam as suas histórias, identidades e experiências de migração.
3.
Teatro desenvolvimento completo de uma peça de teatro, explorando as suas várias vertentes através da realização de:
Oficinas de escrita criativa, que permitirão aos participantes aprender técnicas de escrita e serem eles próprios os autores da peça de Teatro que irá abordar temas como a integração social, a diversidade cultural e as experiências migratórias.
Oficinas de técnica vocal, procurando melhorar a dicção, projeção e colocação da voz dos atores, de modo que se sintam confiantes ao compartilhar as suas histórias e vivências na língua de acolhimento.
Oficinas de representação, procurando, através de técnicas de representação, ajudar os atores a dar vida às suas personagens e a expressar, de forma criativa e autêntica as suas jornadas de adaptação e superação.
Atividade I : Apresentação pública das criações artísticas
Os objetos artísticos que resultam do processo criativo e de reflexão do All Aboard serão apresentados ao público no Teatro Municipal da Guarda e no Simpósio Internacional de Arte Contemporânea por forma a gerar impacto e deixar uma marca na comunidade.
Atividade II: Reflexão Crítica sobre o trabalho desenvolvido
Será editado um livro que pretende ser um manual de boas práticas de projetos de inclusão pelas artes e um documentário que registará a envolvência, impacto e mudança
promovida nos participantes e métodos de trabalho privilegiados pelo projeto All Aboard.
Atividade II: Reflexão Crítica sobre o trabalho desenvolvido
Terminada a apresentação pública dos espetáculos, será promovido um momento de convite à reflexão sobre “O que significa a integração social? Como posso ser agente de
mudança para a comunidade e para os outros?”
Apresentação pública do projeto: 17 de dezembro
Escrita Criativa: janeiro a abril de 2026
Artes Plásticas – TMG e Museu da Guarda: de abril a maio de 2026
Exposição Espaço Memória: maio a julho de 2026
Mural SIAC: julho de 2026
Música – TMG: setembro de 2026 a maio de 2027
Teatro – TMG: julho de 2027 a janeiro de 2028
Migrantes dos territórios abrangidos + Comunidade local
Área intervenção concelhia do Município da Guarda
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